Acho que este é o texto mais difícil de ser composto por mim... Mas vamos lá!
Vocês não tem noção do quanto é difícil vencer o orgulho e a vaidade e neste post eu vou dar uma bela arranhada nestes meus dois defeitos.
A realidade: Sou o que se pode chamar de "farsa ambulante". Não sou verdadeiro com as pessoas e nem comigo mesmo. Vivo numa situação inventada e repleta de caras e bocas para dizer que está tudo muito bem. Parecendo aquelas famosas "mentiras sociais" quando alguém lhe pergunta se você está bem a resposta é sempre um "muito bem obrigado" apenas porque que não quer entrar em detalhes.
Eu vivo este "muito bem obrigado" faz muitos anos só que para mim mesmo. A quem eu quero enganar? Posso enganar (e faço isto com extrema maestria) todo mundo, menos a mim mesmo!
Nunca estive bem, sempre me faltou alguma coisa que eu não sei definir o que é e as pessoas nunca perceberam isto. Quem me vê acha que eu nunca tive problemas porque não sou de ficar reclamando (acho isto péssimo). Mas por dentro tenho minhas revoltas contra tudo e contra todos.
Sou uma farsa porque não sou o que me mostro. Me mostro como um ser perfeito (ou quase) mas meus esforços neste sentido são infinitamente mínimos. Sou uma farsa porque permito que as pessoas levem uma imagem que não sou (e até faço força para pensarem desta forma). Tenho defeitos que jamais admitiria tê-los e tenho outros que são fáceis de serem corrigidos mas simplesmente me falta vontade para tal empreitada (isto ninguém sabe). Sou uma farsa porque embora ouça todo mundo em seus problemas não me permito estar do outro lado, daquele que recebe ajuda, por não me achar merecedor dela. Sou uma farsa porque adoto aquele velho lema do "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço", mas nunca admiti isto para ninguém.
Não me acho merecedor de qualquer atenção e nem tão pouco de qualquer elogio. Vejo poucas pessoas abaixo de mim (porque a maioria está acima mesmo). Mas você tem bom coração, me disseram uma vez tentando me dissuadir destes pensamentos. Sim, tenho de admitir isto. Tenho sim. Mas isto não muda nada. Alguém de bom coração (simplesmente) não faz nada. E até questiono se isto é mesmo verdade porque alguém de bom coração faz alguma coisa e eu não faço nada.
Estou (e sempre estive) entregue à vida. É como aqueles idosos sem perspectiva que vivem em asilos só "esperando a morte chegar". Vou vivendo porque não tenho nada mais interessante para fazer.
Fico com extremo pesar quando penso que existem pessoas (boas pessoas) que se espelham em mim para alguma coisa. Estão se espelhando num personagem e não em mim mesmo. Não vêem o lado errado. De certa forma até acho bom isto pois todo mundo precisa de uma referência, mas me preocupo quando esta referência cair (porque vai).
Cansei de ser o compreensivo. Todo mundo pode tudo e eu não posso nada (nunca pude). Tenho de ser sempre aquela pessoa que compreende o outro:
- Chegou atrasado? Não se preocupe eu não ligo.
- Não pode cumprir o combinado? Ah, ok. Não se preocupe quando puder me avisa.
- Me destratou? Com certeza deve estar com cabeça quente, quando tiver melhor eu o procuro.
Quando delineei estas situações uma pergunta me veio à mente: Mas qual seria a alternativa? Agir igual? Resposta: Não! Mas não preciso me conformar com nada disto!
- Chegou atrasado? Poxa! Não combinamos o horário? Se não deu para chegar na hora me avisasse!!!
- Não pode cumprir o combinado? E eu com isto? Faça a sua parte que eu faço a minha. Se não puder fazer a sua sofra as consequências e não me diga para aliviar as coisas.
- Me destratou? Vá para a merda! Não sou saco de pancadas de ninguém! Quer maltratar alguém? Por que não senta num prego enferrujado?
Sim! Eu estou meio que revoltado comigo mesmo! Não estou posto isto no meu blog pessoal porque existem pessoas que me tem como referência e lê cada linha que eu escrevo. Não sou irresponsável a ponto de fazer estas referências caírem sem um mínimo de suporte de minha parte. Posto aqui porque sei que pouquíssimas pessoas aqui vem.
Não quero continuar alimentando uma compreensão ilimitada a ponto de continuar sendo o que sou, mas me falta coragem (???) para mudar alguma coisa neste sentido. Olha a farsa aí (todo mundo me vê como um cara corajoso).
Só me compra quem não me conhece (já me falaram esta frase inúmeras vezes e eu sei que é uma verdade incontestável). Inclusive ouvi esta frase recentemente.
Isto é um micro desabafo. Como eu disse no começo do texto: Um leve arranhão no meu orgulho e vaidade. Com certeza irei me sentir bem após postar isto. Com certeza em pouco tempo vou pensar completamente diferente disto, mas será o Marcelo Bonzinho retomando o controle!





















